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Como a saúde do cérebro impacta o bem envelhecer

Foto do escritor: Fiorella Di Pietro
Fiorella Di Pietro
18 de ago.
3 min de leitura

Palestra do professor da UFRJ Abrahão Baptista, fisioterapeuta, licenciado em Música, mestre e doutor em Ciências Morfológicas ensina como envelhecer sem perder a memória


​“Você gostaria de ter o corpo que tinha aos 15 anos? Gostaria de ter o cérebro que tinha aos 15 anos?”. Com essas perguntas formuladas pelo professor Abrahão Baptista, deu-se início a palestra sobre cérebro e envelhecimento na Faculdade Impacta no dia 28 de julho, para os alunos do curso Repórter 60+. “Tudo que sabemos sobre o cérebro é porque damos um tranco e vemos a resposta. Não sabemos direito o que é o cérebro e como ele se comunica com o resto do corpo”, afirmou o professor. 


​Estudos científicos mostram que a atrofia do cérebro não é necessariamente uma característica negativa. Conforme envelhecemos existe, de fato, a atrofia do cérebro, porém as pessoas idosas conseguem realizar as mesmas tarefas, mesmo que demorem mais tempo ou utilizem mecanismos diferentes para solucionar as questões. Em exames como ressonâncias é possível ver que a atividade cerebral na juventude se dá em um único lado do cérebro, enquanto na idade avançada essa movimentação dos neurônios acontece em conjunto com os dois lados do cérebro. 


​Segundo o professor, quanto a pessoa foi estimulada na sua juventude também é um fator muito relevante nessa “plasticidade cerebral”. Ou seja, se quando criança aprendeu mais de um idioma, praticou esportes, teve uma boa alimentação, por exemplo, esse cérebro bem estimulado será mais resistente à formação das chamadas células-zumbi - células não utilizadas que não morrem e permanecem causando inflamações cerebrais. Esses estímulos da juventude criam uma reserva cognitiva que pode levar a uma velhice de maior qualidade. 


​Além da falta de estímulos na juventude, mudanças na microbiota intestinal também influenciam no enfraquecimento do cérebro, pois a inflamação dificulta a comunicação, através do nervo vago, entre o intestino e o cérebro, acarretando problemas de memória. Esse sistema funciona assim: o intestino envelhecido causa a proliferação excessiva de bactérias, que produzem ácidos graxos de cadeia média em excesso, que ativam os receptores de inflamação nas células imunológicas. Por fim, essa inflamação bloqueia o nervo vago, que é a principal “rodovia” de comunicação sensorial entre os órgãos e o cérebro, que faz a atividade do hipocampo cair drasticamente.  


​Diante da atrofia cerebral somada ao aumento das células zumbi e à inflamação, somente cérebros com grande reserva cognitiva serão capazes de realizar a reorganização funcional, que nada mais é do que encontrar outros caminhos para resolver as mesmas questões. 


​De acordo com Baptista, evitar essa degeneração cerebral está em grande parte nas mãos de cada um de nós. Uma vez que se sabem quais são os “remédios”, é possível o quanto antes começar a criar essa reserva cognitiva. Como? Evitando o sedentarismo, incorporando movimentos na rotina, não necessariamente dentro de uma academia.


Atividades como jardinagem e pequenas caminhadas de 20 minutos ao dia já são bastante eficientes. Treinos de força com auxílio de pesos, tarefas duplas que ativam corpo e mente como a dança, exercícios aeróbicos e nutrição rica em ômega-3, são o conjunto de providências que devemos tomar para envelhecer com um cérebro saudável. 


​Um bom caminho é procurar uma atividade física prazerosa, pois a constância da atividade é que vai garantir o bom resultado. Manter as atividades físicas e mentais força o cérebro a criar novas redes quando corpo e mente são desafiados ao mesmo tempo.  


Por Fiorella Di Pietro, Repórter 60+

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