Longevidade em equilíbrio com os quatro grandes ciclos da natureza

Em entrevista aos alunos do curso Repórter 60+, o mestre Liu Chih Ming relaciona os princípios do taoísmo aos cuidados com o corpo, à alimentação e à saúde emocional.
O mestre em medicina tradicional chinesa Liu Chih Ming foi o convidado de uma aula especial do curso Repórter 60+, realizada na Faculdade Impacta, em São Paulo. Após a palestra, os estudantes participaram de uma entrevista coletiva exclusiva, colocando em prática técnicas de apuração e construção de perguntas jornalísticas.
Formado pelo China Medical College, em Taiwan, Liu Chih Ming realizou especializações em acupuntura na China e acumula décadas de experiência profissional. É reconhecido por sua atuação na medicina tradicional chinesa e na acupuntura, com participação em congressos, associações e atividades de formação no Brasil e em outros países.
Desde 1979 no Brasil ministra cursos de acupuntura tradicional chinesa e auriculoterapia.
Com o tema “As quatro grandes naturezas e os quatro enfraquecimentos do ser humano”, Liu Chih Ming apresentou conceitos do taoísmo e da medicina tradicional chinesa para refletir sobre longevidade, prevenção e qualidade de vida.
Segundo ele, o corpo humano está diretamente ligado aos elementos e aos ciclos da natureza. Terra, água, fogo e vento correspondem, respectivamente, à estrutura física, aos líquidos corporais, à energia vital e à respiração. Com o avanço da idade, esses elementos podem apresentar sinais de enfraquecimento, como perda de força muscular, alterações na circulação, sensação de frio e dificuldades respiratórias.
Durante a palestra, o mestre destacou hábitos que considera fundamentais para a preservação da saúde: manter a serenidade, respirar profundamente, dormir em horários regulares, alimentar-se de forma equilibrada, praticar atividades físicas, preservar a energia vital e cultivar sentimentos como compaixão e gratidão.
Ao falar sobre exercícios, defendeu práticas naturais, como a caminhada, por respeitarem os movimentos alternados do corpo e produzirem menor impacto. Na alimentação, ressaltou a importância da variedade de cores e alimentos, mas reconheceu que qualquer recomendação deve considerar doenças, restrições e necessidades individuais.
Questionado sobre a convivência entre os ensinamentos milenares do taoísmo e as novas tecnologias, Liu Chih Ming afirmou que a tradição não precisa negar os avanços da sociedade. Para ele, os princípios do yin e yang continuam servindo como referência para compreender os dois lados de cada transformação: benefícios e riscos, atividade e repouso, excesso e equilíbrio.
A principal mensagem do encontro foi sintetizada em uma frase do mestre, que relaciona longevidade, hábitos e conexão com o ambiente: “O corpo humano é natureza, e a natureza é o corpo humano.”
Após a apresentação, Liu Chih Ming respondeu às perguntas dos repórteres 60+. Veja a seguir os trechos mais interessantes da conversa:
Repórter 60+: Existem alimentos inflamatórios para todas as pessoas ou os efeitos dependem de cada organismo e da época do ano?
Liu Chih Ming: Os alimentos possuem características diferentes e podem agir de maneiras distintas em cada organismo. Açúcar em excesso, frituras e alimentos muito gordurosos ou apimentados podem favorecer processos inflamatórios e devem ser consumidos com moderação, especialmente por pessoas com diabetes ou dificuldades de cicatrização.
No entanto, é preciso avaliar a condição de cada pessoa, o clima e o equilíbrio do organismo. A alimentação deve considerar as necessidades individuais e ser sempre equilibrada.
Repórter 60+:
Qual é a importância das redes de apoio para evitar o isolamento, especialmente entre as pessoas mais velhas?
Liu Chih Ming: Ajudar as pessoas é uma expressão de compaixão e de amor. Quem tem condições, conhecimento e força pode compartilhar e apoiar o outro. Mas a compaixão também precisa caminhar junto com a sabedoria.
É importante avaliar de que maneira podemos ajudar, quais são os nossos limites e se temos condições emocionais, familiares e financeiras para assumir determinada responsabilidade. A ajuda deve ser consciente para não prejudicar quem oferece o apoio nem quem o recebe.
Repórter 60+:
O excesso de telas pode desequilibrar o corpo? Como podemos reduzir seus efeitos?
Liu Chih Ming: A tecnologia trouxe muitos benefícios. Hoje podemos aprender, conversar, trabalhar, fazer pagamentos e resolver diversas atividades. É muito útil. Mas precisamos saber utilizar as telas corretamente. Durante o dia, a luz e a atividade fazem parte do ciclo natural. À noite, o organismo precisa de escuridão, tranquilidade e repouso. O uso excessivo de computadores e celulares no período noturno pode prejudicar a visão, dificultar o sono e manter a pessoa agitada quando deveria descansar.
É importante reduzir gradualmente o contato com as telas no fim do dia e acompanhar mais o ritmo da natureza.
Por Eliane Kreisler, Repórter 60+
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