Quem vai cuidar de quem? O envelhecimento do Brasil exige uma nova educação

O número de nascimenros vem decrescendo há décadas no Brasil. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vem registrando dados e mostra estatisticamente o fim do chamado “bônus demográfico”, a janela de oportunidade para crescimento populacional. O número de nascimentos no Brasil caiu 5,8% em relação ao ano anterior (2024), sendo a maior redução dos últimos 20 anos.
Ao contrário, o rápido envelhecimento da população em paralelo à redução paulatina no número de crianças e jovens soa um alarme: Será que enfrentaremos desafios previdenciários, de saúde e econômicos ainda maiores? E é preciso, num país de desigualdades, pensar no cuidado dos velhos mais frágeis e vulneráveis em relação ao cuidado. Quem cuida hoje e quem seguirá cuidando, com famílias cada vez menores ou sem filhos?
Talvez a resposta seja aqui uma outra pergunta: E se a formação para a vida proposta pelos palestrantes se tornasse agora, uma escola para filhos? Sim, os filhos adultos, que de repente, têm suas vidas completamente alteradas em sua rotina para incorporar os cuidados com seus pais? Em muitos lares atuais, não há relações intergeracionais, não há transmissão dos valores e das tradições para as crianças da família, mas sim, pessoas idosas envelhecendo sozinhas, com pouco ou nenhum apoio no cuidado, velhos e velhas que seguem trabalhando porque a vida lhes impôs a necessidade de seguir trabalhando.
Recentemente conhecia a experiência do casal Marion Laurent e José Ramón Navarro, fundadores dos Centros Etievan, em São Paulo, que propõe uma reflexão sobre os rumos da educação. Com atuação em países da América Latina e no Brasil, a iniciativa aposta em vivências imersivas para desenvolver competências como coragem, resiliência, força e vontade, defendendo que a formação para a vida deve ir além da transmissão de conteúdos. Para o casal, a educação contemporânea privilegia excessivamente o conhecimento intelectual, enquanto os idosos têm um papel essencial na formação das novas gerações, por sua experiência e capacidade de transmitir valores éticos, espirituais e humanos.
A escola para adultos poderia sem dúvida, ensinar muita coisa sobre empatia e resiliência a esses filhos. Um viva para os Centros Etievan, que despertam o melhor lado da humanidade.
Por Marília Sanches, Repórter 60+
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