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Aprender, adaptar e envelhecer: os desafios do cérebro

Foto do escritor: Marli Vasserman
Marli Vasserman
18 de ago.
2 min de leitura

Neurocientista Abrahão Baptista explica como o cérebro tem capacidade de se modificar e se reorganizar ao longo da vida e como hábitos saudáveis contribuem para preservar as funções cognitivas


“Não sabemos, de fato, o que é o cérebro”. Com essa reflexão Abrahão Baptista iniciou a palestra sobre envelhecimento e dinâmica cerebral. Professor titular da Faculdade de Fisioterapia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), fisioterapeuta, licenciado em música, com mestrado e doutorado em Ciências Morfológicas e pesquisador na área de neurociência, ele apresentou uma visão sobre como o cérebro se adapta às experiências e continua capaz para aprender durante toda vida.


Baptista explicou que a cognição é resultado do processamento de informações pelo cérebro e destacou a comunicação constante entre cérebro e corpo. Também abordou o papel do hipocampo, responsável pela formação das memórias, e do córtex pré-frontal, região ligada ao planejamento e à tomada de decisões e funções executivas.


Ele falou também sobre as células senescentes, conhecidas como “células zumbis”, que são células que perdem função quando começam a inflamar e danificam neurônios vizinhos, prejudicando a cognição.


Alterações na microbiota intestinal durante o envelhecimento também influenciam a memória e outras funções cognitivas. Esse eixo intestino-cérebro tem sido cada vez mais estudado pela ciência e reforça a importância de uma alimentação equilibrada  para a saúde cerebral.


Baptista enfatizou que o cérebro tem capacidade de reorganizar suas conexões ao longo da vida. Embora o processamento das informações possa se tornar mais lento com a idade, a experiência e a maturidade emocional favorecem decisões mais equilibradas. O pesquisador concluiu a palestra reforçando que a prática regular de atividades físicas contribuem para melhorar a circulação sanguínea no cérebro, estimulam a formação de novas conexões neurais e favorecem a memória e a atenção, além de ajudar a reduzir processos inflamatórios e diminuírem o risco de doenças neurodegenerativas. Aliadas a hábitos saudáveis, alimentação saudável, convívio social e ao aprendizado contínuo, são estratégias para manter a saúde do cérebro e promover um envelhecimento mais ativo e mais saudável.


O cérebro permanece em constante transformação e responde aos estímulos ao longo da vida. Cuidar do corpo, da mente e das relações sociais é investir na saúde cerebral e na qualidade de vida em qualquer idade.


Por Marli Vasserman – Repórter 60 +

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