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A culinária como ferramenta de conexão, vínculo afetivo e preservação de cultura 

Foto do escritor: Fiorella Di Pietro
Fiorella Di Pietro
18 de ago.
2 min de leitura

O chef Gustavo Toledo levou ao grupo do Repórter 60+ um pouco de sua experiência no mestrado, no qual estudou a matança do porco, e mostrou como a cozinha gera vínculo afetivo, seja onde for. Ele falou aos estudantes 60+ de jornalismo na Faculdade Impacta, em São Paulo, na última terça-feira (7).

Ao abrir sua fala, Toledo disse se considerar cozinheiro, pois chef representa um cargo. Desse lugar de cozinheiro, enfatizou os aspectos afetivos, de conexão e hierarquia que existem quando uma comunidade, uma família ou um grupo de pessoas se reúne com o intuito de preparar uma refeição. 

Toledo fez uma relação da vivência na matança do porco com uma família de Cambuí (MG) que promove essa tradição: seja dentro de uma cozinha profissional ou familiar, sempre existe a hierarquia e, consequentemente, o respeito. Para ele, a conexão entre as pessoas funciona como em uma orquestra, onde todos os envolvidos são igualmente importantes para o resultado final.


Toledo explicou que a relação entre os participantes começa no anúncio da matança do porco, até a refeição toda ser servida.

Essa relação se dá de diversas formas, desde pessoas que oferecem utensílios úteis ao preparo, pessoas que vêm para ajudar, até pessoas que vêm para cantar durante a celebração. Quando a comida é servida, o clima é de festa. Para Toledo, a união presente nessa cerimônia é algo tão valioso que não pode ser perdido e precisa ser amplamente divulgado e valorizado.

“Uma cozinha é muito mais que um espaço onde se faz comida. Uma cozinha é um local de acolhimento, aprendizado, pertencimento e sobretudo vínculo afetivo”, afirmou. 

Ele reforçou essa experiência ao falar sobre lembranças de infância, que passam necessariamente por lembranças de cheiros e sabores. “Como cheiro de bolo recém- saído do forno, cheiro de pão assando, molhos especiais. Cheiros e sabores fazem parte de nossa memória afetiva e, reviver essas memórias é comprovadamente benéfico para a nossa saúde física e mental”, destacou. 

De acordo com Toledo, a culinária como ferramenta de inclusão, seja intergeracional, racial ou de classe social, utiliza algo muito simples e poderoso, com benefícios não só à saúde humana, como também à sustentabilidade e à economia.

Diversas políticas públicas e materiais didáticos reforçam o que ensina o chef. O  Guia da Saúde Alimentar para a População Brasileira, elaborado pelo Ministério da Saúde,  orienta escolhas alimentares saudáveis, baseadas na cultura e nos hábitos regionais. O material  desmistifica a ideia de que gastronomia é algo para a elite. 

Um artigo recente da revista National Geographic informou que compartilhar uma refeição com amigos e familiares pode ser a chave para uma melhor saúde mental e que a comida como ferramenta de conexão pode ser a resposta para a epidemia de solidão da atualidade. 

Já o Relatório Mundial da Felicidade de 2025 também aponta que compartilhar refeições está entre os indicadores mais fortes de bem-estar, comparável a renda e emprego. 

Como ensinou Toledo em sua palestra e a própria literatura reforça, chamar amigos, familiares ou vizinhos para cozinhar juntos uma antiga receita de sua família vai muito além de um simples convite. Trata-se de um excelente hábito para a manutenção da saúde. 


Por Fiorella Formicola Di Pietro, Repórter 60+ 


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