Cozinha compartilhada

Gustavo Toledo, cozinheiro e chef, conversou nesta terça-feira (7) com os alunos do curso Repórter 60+ a respeito de seu trabalho, que propõe resgatar o essencial da comida: “aproximar as pessoas, criar laços e vínculos entre elas”. O encontro aconteceu na Faculdade Impacta, na zona sul de São Paulo.
A escolha de Toledo pela gastronomia não foi imediata. Formado em hotelaria, teve experiências no ramo e se apaixonou pela comida ao perceber, no curso de pós-graduação de dois anos em Genebra, na Suíça, o quanto a cozinha é meio para as pessoas estabelecerem contato e vínculo.
No trabalho de campo, no interior de Minas Gerais, o chef acompanhou a elaboração de um prato típico da região, chamada a matança do porco. Nesta tradição, os participantes realizam todos os processos para transformar a carne para consumo imediato e a conservação.
Segundo o cozinheiro, este é um trabalho coletivo entre famílias, que conecta com as raízes do lugar e pessoas. “Esse processo é coletivo, envolve cooperação, paciência, agrega pessoas de diversas idades e respeito, tanto às tradições como a hierarquia de saberes”, conta.
Numa sociedade marcada por tecnologia, pressa e dificuldade de encontros e trocas, Toledo apresenta um projeto de cozinha compartilhada, que cria pequenos grupos que se encontram para cozinhar juntos. “Comer junto propicia compartilhar histórias e valores, melhorando a qualidade de vida das pessoas, criando vínculos e sentimentos de pertencimento a um grupo”, explica o chef.
Para ele, que se intitula cozinheiro, toda pessoa que cozinha tem uma memória afetiva da cozinha da sua casa, dos cheiros e sabores que vêm da infância. “Há muitos sentimentos envolvidos”, ressalta.
Ao fim da palestra, a turma do Repórter 60+ pôde conversar e fazer perguntas sobre o projeto de Toledo, que envolve cozinha e relacionamento, incluindo o intergeracional, o que reforça o conceito proposto por ele.
Por Mary Covadonga, Repórter 60+
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